sexta-feira, 14 de junho de 2019

Uma das ilhas mais assombradas do mundo.

Imagine que você tem muito dinheiro sobrando e descobre que existe uma bela ilha localizada na mesma vizinhança que a magnífica Veneza que se encontra desabitada e que será posta a venda. 

Você estaria interessado em se tornar o sortudo proprietário de um local como esse? Pois antes de começar com as negociações, é melhor saber onde você está investindo, por que, neste caso, estamos falando de "Poveglia", uma das ilhas mais assombradas do mundo.

Localizada a apenas três quilômetros dos famosos palacetes do "Grand Canal de Veneza", ao longo de sua história, "Poveglia" serviu para diversos fins. Contando com uma área de apenas 17 acres, a ilha conta com muralhas de uma antiga fortificação octogonal que foi construída no século 14 para frear os invasores genoveses. 

Mais tarde, durante as guerras napoleônicas, a estrutura foi usada por soldados britânicos para emboscar os franceses, e era bastante comum que os prisioneiros fossem queimados na costa.

À distância, a torre com o sino é a estrutura mais visível da ilha, e também uma das mais antigas: ela fazia parte de uma igreja do século 12 que foi abandonada e acabou sendo destruída a mando de Napoleão depois que a área caiu em seu domínio, e no século 19 foi convertida em um farol. 

Contudo, o que veio engordar o número de vítimas em "Poveglia" foi seu funcionamento como lazaretto durante as epidemias de peste negra.

A peste e outras doenças infecciosas foram um grande problema na Europa medieval, especialmente em grandes centros comerciais como era Veneza. 

Assim, a cidade contava com leis bastante estritas de saneamento e, embora na época as pessoas ainda não entendessem como as doenças eram transmitidas, elas tinham noção de que era necessário isolar os doentes para evitar epidemias.

Esses locais de isolamento se chamavam lazarettos, e existiam três deles na Lagoa de Veneza, o "Lazaretto Nuovo", "Lazaretto Vecchio" e o de "Poveglia". 

Assim, os viajantes suspeitos de apresentar alguma doença deviam permanecer nesses lugares durante um período de 40 dias antes de serem liberados para seguir viagem. 

Aliás, foi daí que surgiu o termo “quarentena”, que é derivado do tempo — "quaranta giorni" — que as pessoas precisavam ficar nos lazarettos.

Apesar da incrível má fama, a verdade é que nem sempre a estadia em "Poveglia" foi tão horripilante assim. Segundo os registros históricos, a maioria dos viajantes contava com seus próprios quartos e eram bem alimentados. 

Além disso, eles ainda contavam com um sistema de correio à sua disposição, e podiam receber e enviar correspondências enquanto estavam em quarentena.

Foi na época em que a peste negra alcançou seu auge que "Poveglia" se transformou em um inferno. Qualquer pessoa suspeita de estar infectada com a doença — fosse viajante, membro da nobreza ou cidadão comum — era enviada para os lazarettos, e durante os piores surtos, as ilhas ficaram cheias de doentes e pessoas morrendo. 

Os milhares de corpos começaram a ser rapidamente enterrados em covas comuns e, depois, na falta de espaço, queimados.

A localização da maioria das covas de "Poveglia" ainda é desconhecida, e dizem que a ilha serviu de lar para mais de 160 mil doentes que eram deixados ali para passar seus últimos momentos de vida — enquanto, diz a lenda, eram assombrados pelos fantasmas dos que haviam perecido anteriormente.  

A atividade como lazaretto foi encerrada no século 19. tanta gente morreu em "Poveglia", que hoje se acredita que 50% do solo seja composto por cinzas e restos humanos.

Depois de alguns anos de inatividade, em 1922, uma casa de repouso para idosos foi instalada em "Poveglia". Contudo, de acordo com testemunhos — e fortes evidências que existem pela ilha —, em vez de funcionar como lar para velhinhos, a instituição era, na verdade, utilizada como local para albergar indigentes idosos e doentes mentais.

Dizem que um dos médicos da instituição, além de realizar experiências sinistras, torturou e matou vários dos pacientes até cair — ou ser empurrado — para a morte de cima da torre do sino. 

O manicômio foi fechado em 1968, e as ruínas ainda se encontram em "Poveglia", onde estão sendo pouco a pouco devoradas pela vegetação e pelo tempo. Tanta gente morreu na ilha, que hoje se acredita que 50% do solo seja composto por cinzas e restos humanos!

Com um histórico como esse, não é de se estranhar que "Poveglia" tenha ganhado fama de ser assombrada, e já atraiu a atenção de investigadores paranormais e caçadores de fantasmas. 

Curiosamente, as outras ilhas que serviram como lazarettos estão abertas para visitação pública, e seus antigos hospitais hoje funcionam como museus. Entretanto, "Poveglia" permanece fechada ao público e a entrada de visitantes é estritamente proibida.

Em meados do ano passado, o governo italiano decidiu leiloar "Poveglia", e a ideia era a de que os compradores transformassem o local em um hotel de luxo. 

A ilha continuará sendo de propriedade do Estado, e os investidores teriam direito a um contrato de leasing por um período de 99 anos.

Quem acabou “comprando” "Poveglia" foi o empresário italiano Luigi Brugnaro, que desembolsou £ 400 mil — equivalentes a mais de R$ 1,6 milhão — pelo local. 

O novo dono desta que é uma das ilhas mais assombradas do planeta ainda não decidiu o que fará com ela, mas gostaria que ela tivesse algum tipo de uso público. 

Segundo estimativas, as obras de restauração custarão mais de R$ 50 milhões, e o acesso a "Poveglia" continua sendo restrito. (Fonte: Blog Mega Curioso)

A vista parece linda, mas o que tem lá dentro é horripilante.

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