Em
setembro de 2008 a cidade portuária de Galveston, no Texas, voltou às manchetes
dos jornais de todo o mundo por causa do furacão “Ike”. Infelizmente para os
catastrofistas de plantão, o “Ike” virou uma tempestade tropical e, apesar do
grande prejuízo, não causou muitas mortes.
Mas,
no começo do século passado Galveston não teve tanta sorte. Um furacão – que
naquela época não recebia nome – arrasou a cidade e causou 6 mil mortes só na
localidade, além de cerca de 2000 nas cidades vizinhas.
Os
prejuízos, de acordo com as contas de Stephen J. Spignezi em “As 100 maiores
catástrofes da história” chegariam, em valores de hoje, a 700 milhões de
dólares. É até hoje a tragédia natural que mais matou pessoas nos Estados
Unidos. Nem o “Katrina” superou esse triste recorde.
Naquele
8 de setembro de 1900 Galveston foi arrasada. Mas nosso personagem principal
ainda não entrou em cena: Charles Francis Coghlan.
Charles
Coughlan nasceu na “Ilha Princípe Eduardo”, no Canadá, em 1841. Filho de
irlandeses, ele estudou na Inglaterra, onde se formou com distinção em Direito.
Voltando para o Canadá, surpreendeu a família ao escolher a carreira de ator.
Expulso de casa pelo pai, ele jurou nunca mais voltar à sua cidade natal. Mas
esse foi um juramento que não conseguiu cumprir.
A
decisão de Charles influenciou sua irmã Rose, que também se tornou atriz. Ela
chegou a trabalhar na Broadway, para desgosto da família. Dois dos seus filhos,
Gertrudes e Charles Junior, também seguiram a carreira do pai.
As
histórias de Charles e de Galveston se cruzaiam em 1899, ano em que ele chegou
à cidade para representar Hamlet. Em 27 de novembro daquele ano ele teve um mal
súbito enquanto estava atuando e caiu morto ali mesmo no palco.
Foi
enterrado no cemitério da cidade, pois por causa da distância – mais de 4.000
Km, de acordo com o “Google Mapas” – não
havia como envia-lo para o Canada.
Conta-se
que, enquanto excursionava pelos Estados Unidos, Charles teria consultado com
uma cigana e ela teria lhe dito o seguinte: “Charles, você vai ser muito
famoso, mas vai morrer no auge da sua fama. Sua alma, então, não terá descanso
até que tenha retornado ao local de seu nascimento.” Não se sabe se a consulta
com a tal cigana realmente aconteceu ou se foi inventada por causa do que
aconteceu depois.
E
o que aconteceu depois? Bem, o corpo de Charles “descansou em paz” – ou não, se
acreditarmos na profecia da cigana – num jazigo em Galveston por menos de um
ano. Em 8 de setembro de 1900 o cemitério da cidade foi destruído pelo furacão.
O
ataúde de Charles, feito de chumbo, foi arrastado pelas ondas. Boiou pelo “Golfo
do México” até ser pego pela Corrente do Golfo. Oito anos e um mês depois do
furacão – em outubro de 1908 – o caixão flutuante foi avistado por pescadores
na Ilha “Princípe Eduardo”, onde Charles havia nascido.
Charles
tinha “voltado para casa”, depois de viajar cerca de 5.000 Km por mar. Foi
enterrado pela família, que havia inclusive oferecido recompensas para quem
encontrasse seu caixão oito anos antes, na mesma igreja em que ele tinha sido
batizado.
Sorte
? Destino ? Coincidência ? Alguma brincadeira do “Grande Mágico Cósmico”? Você
decide, meu estupefato leitor, minha espantada leitora. Só não diga que os
mortos não andam. Eles não só andam, como também nadam. (Fonte: depokafe.wordpress.com)
Charles Coughlan.

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