Yukio
Shige é um policial aposentado que há 10 anos se tornou um grande exemplo no
Japão. Ele fundou o NPO Kokoro no Hibiku, um grupo de prevenção de suicídios.
Junto
com outros voluntários, Yukio Shige faz patrulhas rotineiras nas falésias de
Tojinbu, situado na Província de Fukui, lugar famoso por suas incríveis
formações rochosas e também conhecido como Penhasco do Suicídio.
Desde
2004, o grupo do Sr. Shige ajudou a evitar o suicídio de mais de 470 pessoas.
Seu trabalho voluntário acabou sendo conhecido no mundo todo. Antes de
aposentar, Sr. Shige atuava na região como policial e um dos seus trabalhos era
recolher corpos de pessoas que haviam se matado atirando-se do alto das
falésias.
Sr.
Shige conta que chegou a recolher 10 cadáveres em um mês. Em seus tempos de
policial, ele sempre questionava junto às autoridades locais, sobre
alternativas que pudessem evitar os suicídios, tais como barreiras e redes.
Porém ninguém dava importância ao que ele dizia e ainda diziam que tais medidas
poderiam estragar a beleza do local e afastar os turistas.
Isso
deixava-o chocado, pois ele acreditava que a omissão e a negligência tornava-os
também culpados pelas mortes. Foi então que após se aposentar, o Sr. Shige
resolveu investir todo o dinheiro que tinha em um pequeno café perto da beira
do penhasco e fundou uma ONG sem fins lucrativos para ajudar as pessoas que vão
até o penhasco para tirar suas próprias vidas.
Salvar
vidas acabou tornando-se sua missão e o método de persuasão do Sr. Shige é
muito simples. Quando ele vê uma pessoa de pé na beira do penhasco, ele se
aproxima com cuidado e leva a pessoa para o seu café, onde ele oferece ao
possível suicida uma xícara de chá, um pedaço de bolo e palavras amigas.
Segundo
Sr. Shige, só de olhar para a pessoa é possível identificar que a pessoa está
ali para tirar a própria vida. A maioria não pula imediatamente. Muitos ficam
sentados à beira do penhasco por horas, até o sol se por, como se estivessem
esperando que alguém fosse até lá falar com eles.
A
maioria dessas pessoas querem apenas serem ouvidas.” E é isso que o grupo do
Sr. Shige tenta fazer. Conversar com cada um deles, perguntar o que está
acontecendo.
Dá
para sentir o alívio dessas pessoas quando me aproximo delas e digo apenas um
oi e pergunto se estão bem”. Diz Sr. Shige.
Uma
das voluntárias do grupo é Kawagoe, e ela tem motivos suficientes para se
juntar a esse trabalho. Seus pais se suicidaram quando ela tinha apenas 15
anos.
“Meu
pai se enforcou e minha mãe engoliu pesticida para segui-lo. Em ambas as vezes,
fui eu que encontrei seus corpos”. Ela conta.
“Eu
nunca havia revelado isso a ninguém. Mas quando o Sr. Shige me pediu para me
juntar ao seu grupo, eu pensei que essa era uma missão e que eu tinha que
enfrentá-la “, disse ela. “Eu aprendi que muitas pessoas têm seus próprios
problemas e eu não posso simplesmente deixá-los partir”. (Fonte: Site Japão em Foco)


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