Os povos saxões o chamavam de "Hanging Stones" (Pedras
Suspensas), escritos medievais chamavam de "Dança dos Gigantes". Estas são
denominações diferentes para referir-se ao mesmo monumento, hoje conhecido como
Stonehenge (do inglês arcaico Stan = pedra + hencg = eixo).
Stonehenge é um complexo monolítico, formado por
círculos concêntricos de pedras que chegam a ter cinco metros de altura e pesar
quase 50 toneladas, situado na planície de Salisbury, sul da Inglaterra, a
cerca de 130 quilômetros de Londres.
Os responsáveis por sua construção, os
métodos utilizados e sua finalidade, mantêm-se, ainda nos tempos atuais, como
um grande enigma.
Originalmente, o monumento era um círculo externo que
media 86 metros de diâmetro. O círculo interno, com pedras maiores, de 5 metros
de altura, contava 30 metros em seu diâmetro.
Possuía 30 blocos verticais sobre os quais colocaram-se
30 blocos horizontais, formando um ininterrupto anel de pedra. Ainda mais alto,
são os cinco portais que formam a ferradura externa, com cerca de nove metros
de altura e perto de 15 toneladas.
Ainda, existia uma avenida de acesso principal onde
situavam-se os portais de pedra. Havia também do lado externo do círculo maior,
uma série de cavidades no solo que circundavam o monumento. Estas cavidades
estavam destinadas a um outro círculo de pedras, que nunca seria construído.
Ao analisar as pedras utilizadas, percebe-se que foram
minuciosamente cortadas para que uma se encaixasse sobre a outra, formando os
chamados trilitos. Embora já estejam bastante apagadas devido à ação do tempo,
diversas pedras trazem desenhos ou inscrições rupestres feitas pelas antigas
civilizações.
A construção de Stonehenge
No século XX, arqueólogos, através da técnica de
datação do Carbono 14, estabeleceram que a construção de Stonehenge teve início
em torno de 2950 a.C. e encerrou-se em aproximada- mente 1600 a.C.. Portanto,
as primeiras pedras erguidas nesta obra sustentam-se há mais de 5000 anos.
Se a construção de Stonehenge se estendeu por mais de
13 séculos e técnicas diferentes foram utilizadas para erguer o monumento,
considera-se que vários povos habitaram o local neste período. Assim, não
apenas uma, mas algumas culturas que habitaram a região atuaram em sua
construção.
Não há referências seguras sobre quais povos
participaram desse trabalho. Mas há evidências arqueológicas de que há cerca de
10 mil anos, naquela região, já havia presença humana. No século XVIII, William
Stukeley, astrólogo e membro da maçonaria, argumentava que era um templo
construído pelos druidas, sacerdotes do povo celta.
Mas os celtas estabilizaram-se cerca de mil anos após
a conclusão do monumento. Portanto, esta possibilidade é descartada e
conclui-se que Stonehenge teria sido obra de povos anteriores aos celtas.
Recentemente, em 2003, operários que instalavam
tubulações em Boscombe, área próxima ao sítio histórico de Stonehenge,
encontraram uma tumba coletiva com sete corpos (três crianças, um adolescente e
três homens).
Ao lado dos esqueletos, havia pontas de flecha e potes
de barro datados de 2300 a.C., época da construção de Stonehenge. Ao analisar
as camadas de esmalte dos dentes dos esqueletos, pesquisadores descobriram
traços da composição da água encontrada na região de Wales, local de origem das
pedras centrais de Stonehenge.
Essa evidência levou à conclusão que os "Arqueiros de
Boscombe" (como foram apelidados) provavelmente, ajudaram a erguer as pedras do
monumento.
Merlim e os gigantes.
O escritor e clérigo inglês Geoffrey de Monmouth, em
sua obra "Dança dos Gigantes" (1130), narra que Uther Pendragon, pai do lendário
Arthur, por volta do século V, após uma traição de Heingist liderando os saxões
a um massacre de 460 nobres britânicos numa conferência de paz, decidiu elevar
um monumento em memória dos guerreiros mortos.
Assim, Pendragon convocou Merlim e o mago sugeriu a
busca de antiqüíssimas pedras gigantescas que formavam um círculo mágico, capaz
de curar todas as enfermidades, construído por gigantes na Irlanda.
Os gigantes, que eram pacíficos e infantis e tinham
longa vida, haviam criado os círculos de pedra para saudar a natureza e para
brincar, provocando assim uma certa disputa para ver quem construía um número
maior de círculos (esta seria a origem dos inúmeros círculos distribuídos por
toda Europa até hoje).
Segundo Merlim, esta raça extinta de gigantes havia
transportado essas pedras mágicas da África para a Irlanda. A água que fosse
derramada sobre as pedras mágicas adquiria poderes curativos. Dessa forma, os
gigantes tratavam seus ferimentos com preparados de ervas combinadas à água mágica.
Pendragon e seu irmão Ambrosius convocaram um exército
de 15 mil homens a fim de transportar as pedras. Mas todas as tentativas
fracassaram. Foi então que Merlim, valendo-se de poderes mágicos,
transportou-as até os barcos que as trouxeram até Salisbury, na Inglaterra.
Merlim dispôs as pedras ao redor das sepulturas, da mesma forma que os antigos
gigantes. Segundo a lenda, ainda hoje encontram-se as inscrições dos túmulos de
Uther e Aurelius.
Atkinson e os arqueólogos
Em 1950, Richard Atkinson e outros arqueólogos
britânicos, elaboraram a teoria sobre o processo de construção de Stonehenge,
que teria sido realizado em três etapas. Outras teses apontam para quatro
etapas entre 3100 a.C e 1100 a.C.. Mas o raciocínio de Atkinson ainda é o mais
aceito no meio científico.
Assim, na primeira etapa, no final do período
neolítico, foi construída uma planície que forma o círculo externo, do qual se
dispunham 56 cavidades conhecidas como "Aubrey Holes", formando um anel.
A
primeira pedra, posicionada na vertical, conhecida como "Heel Stone", foi
disposta do lado de fora do círculo, frente à única entrada do monumento.
Ainda, foram dispostas outras quatro pedras conhecidas como Pedras de estação.
A segunda etapa teve início aproximadamente 200 anos mais tarde, já na Idade do Bronze. Neste processo, ocorreu a construção do
duplo círculo interior, formado por 80 blocos de pedra (conhecidos como
bluestone) trazidos das montanhas de Prescelly, sul do País de Gales, a 320 km
de Stonehenge.
Acredita-se que as pedras foram transportadas por
embarcações através da costa gaulesa e posteriormente, em terra firme, levadas
sobre cilindros até o local do templo.
Estas pedras foram posicionadas na
vertical, no interior do círculo primário. Além disso, foi construída também a
avenida que leva ao monumento de Stonehenge e à margem externa das planícies.
Na terceira e última etapa, iniciada em torno de 2550 e
estendendo-se até 1600, os dois círculos internos compostos pelas pedras foram
desfeitos e reconstruídos. Nesse momento também foram posicionadas as pedras
transversais que se apóiam sobre as pedras eretas. Ainda, o bloco conhecido
como "Pedra do Altar" foi posicionado em frente a um dos trilitos.
Stonehenge: ciência e espiritualidade ancestrais
Além dos povos responsáveis pela cons trução, o
período cronológico e as técnicas utilizadas para erguê-lo, as incertezas sobre
o monumento de Stonehenge também estão presentes quando aborda-se sua
finalidade.
A região de Wiltshire é rica em ruínas pré-históricas.
Woodehenge, Durrington Walls e mais de 350 sepulturas são provas da atividade
dos antigos habitantes locais. Ao redor do monumento principal, existem outras
obras intrigantes.
Afastado de Stonehenge, 800 metros ao norte encontra-se
o chamado "Cursum", uma pista reta com 2800 metros de comprimento e 90 metros de
largura, que seria utilizada em procissões e cerimônias religiosas.
Ainda na região de Stonehenge encontra-se os "Círculos
ingleses", que são desenhos circulares surgidos misteriosamente em campos de
cultivo de soja, trigo, cevada e milho. Interessante é que os cereais
cultivados dentro dos círculos, tendem a desenvolver-se 40% mais que outros
mais afastados.
Este fato leva a crer que esta região possui algum tipo
de energia natural e que os antigos tinham conhecimento disto. Por isso optaram
por construir Stonehenge, que seria um templo religioso, naquele local, e assim
intensificar e absorver esta energia.
Mesmo havendo um vasto sítio de pedras na região, os
monólitos utilizados foram trazidos de muitos quilômetros de distância. Isto
leva a crer que essas pedras eram essenciais para a perfeita conclusão do
trabalho e reforça o conceito de que Stonehenge tenha uma finalidade religiosa.
Pois estas pedras, trazidas de tão longe, teriam um caráter sagrado e
ritualístico para os povos antigos.
Vestígios de corpos cremados encontrados nas Aubrey
Holes indicam que ali foram celebrados ritos funerários e que estas cavidades
podem ter simbolizado um portal para outros mundos. O esotérico John Michell
sugere que se trata de um templo cósmico dedicado aos doze deuses zodiacais.
Em sua obra História dos Hiperbóreos, de 350 a.C., o
grego Hecateu de Abdera atribui uma finalidade ao monumento: "ergue-se um
templo notável, de forma circular, dedicado a Apolo, Deus do Sol".
O arquiteto inglês do século XVII, Inigo Jones, fez o
primeiro estudo sério sobre Stonehenge e considerou-o um templo romano. Se
Stonehenge é obra de várias culturas, pode-se supor que suas finalidades também
sejam diversificadas.
A perfeição geométrica faz supor que este trabalho
tenha sido realizado por inteligências superiores extraterrenas, e que
funcionasse como um campo de pouso para discos voadores ou apenas uma referência
para navegação interplanetária. Porém, obviamente, esta é uma tese não
científica que fica limitada a alguns grupos de ufologia.
Ainda, pode-se analisar Stonehenge sobre a ótica da
arqueoastronomia, ciência que tem por objetivo estudar os conhecimentos
astronômicos dos povos antigos. Desse modo, o astrônomo americano Gerald
Hawkins, estabeleceu diversas relações geométricas entre o posicionamento das
pedras do monumento.
Stonehenge seria um observatório pré-histórico cujo
alinhamento das pedras produz um traçado de linhas que marcam o nascer e pôr do
Sol em datas chaves como os solstícios.
Os movimentos do Sol, da Lua e das estrelas, podiam ser seguidos, os eclipses podiam ser previstos e os deuses do Zodíaco adorados no tempo próprio. Assim, Stonehenge não teria apenas uma finalidade religiosa, mas também, em parte, científica.
Os movimentos do Sol, da Lua e das estrelas, podiam ser seguidos, os eclipses podiam ser previstos e os deuses do Zodíaco adorados no tempo próprio. Assim, Stonehenge não teria apenas uma finalidade religiosa, mas também, em parte, científica.
No século XX, Stonehenge abrigou celebrações de
neopagãos. A partir de 1918, o local passou a ser recuperado. Algumas pedras
que, devido ao tempo, estavam inclinadas e prestes a tombarem, foram
reposicionadas. m 1985, as autoridades inglesas, a fim de preservar o
monumento e a região, proibiram os festivais neopagãos.
Atualmente, o local é
administrado pelo English Heritage e foram tomadas medidas rigorosas para
garantir sua preservação. O número de visitantes é de cerca de 700 mil por ano.
Independentemente de sua finalidade, o monumento de
Stonehenge é mais que um ponto turístico; é uma obra que desafia os
pesquisadores modernos e excita a imaginação de cada visitante.

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